segunda-feira, 20 de junho de 2011

Copa do Mundo em 2014 e Investimentos Públicos

Todo projeto deve ser tecnicamente analisado e para isso deve ser realizada uma projeção baseada em cenários diversos: o número de cenários varia, o importante é contemplar um amplo leque de variáveis assumindo valores conforme o cenário, do otimista ao pessimista.
Os projetos privados contemplam estimativa das principais variáveis do Balanço e da Demonstração de Resultados e a partir destes demonstrativos pode-se montar um Fluxo de Caixa prospectivo ( 10 a 15 anos em geral), dependendo de cada projeto, contemplando os Investimentos em Capital de Giro e de Capital Fixo para cada ano futuro.
A seguir estes fluxos são trazidos a valor presente por uma taxa de desconto que represente o custo médio dos recursos tomados para a elaboração do projeto.
Finalmente então pode-se comparar vários projetos, segundo seus cenários, com base no Valor Presente Líquido, o critério mais aceito. Há outros como o do Pay-Back ( prao medio de retorno) e por fim o da TIR ( Taxa Interna de Retorno), o mais criticado.
Quando tratamos de projetos públicos ou público-privados, por outro lado, há que se considerar os benefícios sociais do projeto, a possibilidade de obter benefícios maiores em outros projetos, uma tarefa complexa, que transcende o uso destas técnicas, mas que nunca pode dispensa-las, envolvendo também a questao dos benefícios e custos sociais.
Para viabilizar a Copa do Mundo de 2014 o Brasil assumiu ( conscientemente ou não) um valor elevado de gastos em "Estádios" e infra-estrutura respectiva, de retorno duvidoso. A maior dúvida é o uso dos referidos Estádios passada a fase da Copa do Mundo que mal dura um mes completo. Assim os investimentos parecem estar sendo decididos em base mais política do que técnica e os parâmetros de decisão são questionáveis. Uma decisão mais política que ténica e social de elevado risco. Esta é a situação atual em que o país vive, em meados de 2014.
O cenário torna-se mais complexo ainda no Brasil quando recursos de origem pública ( portanto escassos em função das inúmeras possibilidades de uso com as necessidades inesgotáveis da população) são canalizados para os ditos projetos demandados para a realização da Copa do Mundo de 2014.
Como justificar os bilhoes em subsídios e isenções fiscais perante a população local ?
Como justificar perante a opinião pública o favorecimento a este ou aquele clube de futebol ?
Mais ainda, como justificar os bilhões de reais a serem gastos em certos estádios de futebol para uso efêmero ( algumas partidas da Copa do Mundo) com recursos arreacadados de toda população da cidade), em face de necesssidades urgenbtes na saúde, no transporte, na infra-estrutura em geral ? Como assegurar o uso dos etádios após a Copa do Mundo ? como selecionar os parceiros privados para a exploração dos referidos estádios ?
É uma discussão que deveria ser esgotada a nível dos contribuintes, acionadas as Assembléias de Deputados e de Vereadores, respectivamente, do Estado e do Município envolvidos.
É o que a sociedade espera dos homens públicos por ela eleitos.
O processo demanda elevado grau de transparência e os participantes devem ser selecionados por concorrência pública, não há outra saída possível.
Em termos econômicos a Curva de Possibilidades de Produção ( prêmio Nobel Economista Paul Samuelson) mostra que as decisões econômicas devem ser de fronteira ( máxima utilziadação dos recursos disponíveis) e a melhor decisão deve ser aquela que maximize o bem estar social, envolvida toda a sociedade sob pena de aprovação de projetos com baixo benefício x custo em termos econômicos e sociais.
O processo continua apesar dos argumentos contrários. Caberá à história julgar os envolvidos nesse processo de decisão.

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