quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Economia em 2011: o vôo do pardal no Plano Real

Economia em 2011: o vôo do pardal no Plano Real

No início do corrente ano fizemos um artigo (1) buscando auxiliar o empresariado a balizar seus orçamentos, sempre evitando o “economês”,. O artigo de 2010 [1] foi conservador na intensidade do crescimento, mas acertou nos juros e inflação:
1 – A inflação ficou acima da meta ( 4,5%) como esperado, devendo fechar 2010 acima dos 5,5% ao ano, alta justificada pelo excesso de gastos públicos e pela alta dos preços das commodities no exterior; 2- Para controlar a inflação os juros também subiram como previsto, a Taxa Selic ( taxa piso dos títulos públicos) passou da casa dos 8% para 10,75%; 3 – Para o crescimento da economia ( PIB) em 2010 estimávamos algo na média histórica, de 5 a 6%, um pouco mais forte do que nos anos anteriores do Governo Lula, mas a economia cresceu mais forte, batendo na casa dos 7,5%, em função da maior intensidade dos gastos federais, um efeito internacional conhecido, na época das eleições e 4 -. O excesso de crescimento de 2010 teve seu preço com a piora das contas externas como previsto. O crescimento acelerado puxou as importações e, por outro lado, o câmbio valorizado tem reduzido o incentivo às exportações. Têm sofrido os produtos manufaturados e as comodities tem sido beneficiadas. É a chamada “ desindustrialização”. Um fato grave para o qual ainda não há solução encaminhada.
Assim, o ano de 2010 mostrou uma típica “ Economia de Pardal”, marcada por vôos curtos, cíclico, com altos e baixos. O vôo mais alto de 2010 deve ser sucedido pelo mais baixo de 2011, cenário a seguir: 1- Contas Externas:devem fechar sem maiores problemas com os capitais externos para o mercado financeiro e investimentos, cobrindo o maior saldo negativo das transações correntesdas; deve continuar a piorar o salão da conta comercial pelos motivos já expostos acima; 2- O juro real tupiniquim continua na ponta, dentre os três maiores dos emergentes, atraindo investidores especulativos em renda fixa; 3 – A taxa de juros da Selic continua no ciclo de alta, devendo sofrer algum reajuste para algo acima de 11% ,complementando o aperto na política creditícia. . O BACEN já subiu o depósito compulsório nos Bancos Comerciais neste final de 2010; 4 – O crescimento do PIB será menor, voltando à casa dos 4 a 5%, devido à freada necessária na economia, que se dará por conta de algum corte nos gastos públicos e contenção do crédito via política monetária, processo já em andamento e 5 – Taxa de Câmbio: continuam as pressões para valorização do real ante o dólar e o BACEN deve continuar a comprar dólares, engordando as reservas externas. A não ser que haja algum evento negativo externo a taxa de câmbio deverá ficar próxima dos níveis atuais de US1 = R$ 1,65- R$ 1,70. Projetar dados econômicos sempre deve considerar o risco de eventos externos negativos que podem levar à saída de capitais e à súbita desvalorização do Câmbio como ocorreu em 2008-2009, com a taxa superando R$ 2 por US$ 1. Derivativos devem ser utilizados apenas para “hedge” ( proteção), sob pena de graves perdas financeiras como ocorreu com várias empresas grandes em 2008-2009. Papai Noel” em 2011 deverá ser carrancudo em 2011, uma “cara” mais fechada para os consumidores turbinados a crédito. Empresários devem revisar para baixo seus orçamentos sob pena de maior endividamento para sustentar estoque ocioso nas prateleiras. Cenário bom para renda fixa sobretudo a pós –fixada e mais conservador para o mercado de ações. Novos projetos devem ser reavaliados. A economia brasileira às vezes lembra aquele condutor pouco hábil no volante que acelera forte sem tirar o pé do freio ( crescimento e juros reais elevados em 2010). Sem as reformas o país vai ficar no ciclo dos vôos curtos, como o pardal ( o Brasil), que sente “água na boca” ao vislumbrar ao longe o vôo da águia. ( a China).
[1] Ver artigo de 2010 em http://www.tribunatp.com.br/modules/publisher/item.php?itemid=991

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