segunda-feira, 26 de abril de 2010

Cenário para 2010

Para 2010 e 2011 pode-se desenhar um cenário bastante provável com base nos seguintes fatos:

1) Balanço de Transações Correntes
Claramente esse saldo vem piorando desde 2009, por conta da queda do saldo comercial: aumento das importações devido ao forte crescimento econômico em 2010 e crescimento menor das exportações devido ao ambiente externo ( menor crescimento econômico ) ainda indefinido nos países mis desenvolvidos; espera-se para 2010 um défice recorde em Transações Correntes, mais de US$ 50 bilhões, a ser financiado pela Conta de Capitais.

2) Contas Públicas
Vem acusando sensível pióra desde 2009 por conta do aumento mais forte dos gastos públicos consolidados sobre o PIB;

3) Por ser um ano eleitoral ( e de Copa do Mundo para o Futebol) os gastos públicos vem se acelerando este ano;

4) Os preços tiveram forte reajuste no início de 2010, mais do que o sazonalmente esperado e a redução do ritmo ainda deixa a desejar;

5) A última Ata do Copom reconhece as pressões inflacionárias, o país cresce a um ritmo além do desejado causando pressões inflacionárias;

Resta ao Banco Central, leia-se o COPOM, tomar medidas impopulares, em um ano eleitoral, mostrando a sua independência, quebrando as expectativas inflacionárias altistas praticadas pelo mercado neste início de 2010. A situação de desequilíbrio externo não preocupa em 2010 mas deve ser considerada com sobriedade pelas autoridades monetárias.

Como desaquecer a economia levando-a ao ritmo desejado ? Elevando-se a Taxa SELIC, hoje de 8,75% ao ano para 9,25% ou 9,5% ao ano ainda em Abril de 2010, esta é a expectativa do mercado. Esta elevaçãoi deve progressivamente sinalizar ao mercado uma necessária redução de demanda interna, o que provocará uma queda do crescimento das importações e uma maior atratividade de capital financeiro, fortalecendo as reservas do país e, ao mesmo tempo, dando um claro sinal ao mundo ( credores e investidores) de seriedade na condução da política econõmica.
Se nada for feito em 2010, a desaceleração a ser feita em 2011 exigirá, possívelmente, uma maior dose de elvação da taxa de juros real da SELIC.

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